Análise do caráter – Breve histórico

Two costumed men pose near San Marco square in Venice 27 January at the beginning of the Venice Carnival "Sensation". .AFP PHOTO / CHRISTOPHE SIMON (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images) HORIZONTAL

Uma visão no tempo da Análise do Caráter:

  • 1933.
    • Wilhelm Reich. Resultados de nove anos de trabalho psicanalítico.
    • Um texto básico da literatura psicanalítica.
    • Junção entre psicologia e biologia.
    • Para o autor, é a maior realização da técnica psicanalítica.
    • Caráter:
      • Expressão do funcionamento do individuo tanto no âmbito psíquico quanto somático.
  • 1908
    • Freud publica: “Caráter e erotismo anal.”
    • A fórmula de Freud mostrou-se inadequada porque não era possível derivar o caráter a partir de nenhuma combinação entre os traços. Ao contrário, os traços são aspectos de uma estrutura unitária.
  • 1921:
    • Abraham: artigo sobre traços orais na fase anal. Em 24/25, ampliou os estudos sobre os tipos de caráter com mais dois artigos sobre os caráteres oral e genital. Considerações teóricas sem comprovação clínica.

Reich:

Problema prático. Procura compreender o caráter em seu papel de resistência à interpretação analítica, e em sua função na economia orgânica da libido.

Do primeiro ponto de vista, emergiram os princípios da análise do caráter que trataremos aqui.

  1. Definições de caráter.
    1. Abraham: Direção habitualmente tomada pelos impulsos voluntários de uma pessoa.
    2. Atitude básica com a qual o individuo confronta a vida, seja na sessão analítica, seja em qualquer situação.
    3. O caráter descreve uma realidade objetiva.
    4. Pode ser observado pelos outros, mas com mais dificuldade pela própria pessoa.
    5. Ele apresenta um padrão típico de comportamento ou uma direção habitual.
    6. É um modo de responder que está estabelecido, congelado ou estruturado.
    7. Tem uma “característica” que sempre indica o modo de ser peculiar da pessoa.
  2. Toda estrutura de caráter é patológica.
    1. O individuo que nunca teve suas energias libidinais estruturadas de modo típico ou numa direção, não é considerado dono de uma estrutura de caráter.
  3. Personalidade e caráter:
    1. O primeiro é mais subjetivo: Descreve nossa resposta emocional a um outro ser.
    2. É a expressão da força vital num ser humano, e extensão dessa força no meio ambiente. Fulano é magnético, radiante, etc. O segundo é passível de observação objetiva.

Ego e caráter:

  1. O ego é uma percepção subjetiva do self.
  2. Otto Fenichel:
    1. Os modos costumeiros à disposição do ego para o ajustamento ao mundo exterior, ao id e ao superego, assim como os tipos característicos de combinações de todos estes modos constituem o caráter.
  3. O ego ideal, ou idealizado: Parte da estrutura do caráter.
  4. O individuo neurótico se identifica com seu caráter.
  5. Ele é a única modalidade na qual a vida instintiva tem sido capaz de funcionar.
  6. O aspecto do ego ideal (determinação, por exemplo), é o maior triunfo e o maior empecilho à realização de uma vida mais bem sucedida. 120.
  7. O caráter é resultante de forças opostas: o impulso do ego e as defesas do ego.
  8. Se pudermos separar o ego da estrutura de caráter na qual está enraizado, está livre o caminho para a modificação da estrutura.
  9. Para isso, devem ser vencidas as defesas egóicas. Essa é a tarefa de todas as terapias analíticas.
  10. A análise do caráter tem um objetivo básico: Fazer com que o paciente sinta seu caráter como uma formação neurótica que limita e interfere nas funções vitais do ego.
  11. O paciente percebe o sintoma neurótico como alheio ao ego, enquanto aceita o caráter como ego.
  12. O problema analítico requer uma análise persistente e consistente do padrão de comportamento, mostrando como é que cada ação se encaixa no quadro total.

Estruturas de caráter.

1) Segue uma breve descrição de cada tipo de defesa e estrutura de caráter (imagens principais do Pathwork).

2) Aqui, abordamos o ponto de vista de Alexander Lowen, um dos principais estudiosos do caráter, e suas aplicações práticas para terapia.

3) Os sentidos dados aos termos “masoquista”, “psicopata”, “oral”, etc. tem um sentido Reichiano, e não Freudiano.

4) Mesmo assim, é possível fazer muitas correlações com a psicanálise clássica, principalmente com a escola objetal, a partir de Margareth Mahler e Melanie Klein.

5) O caráter rígido aqui é apresentado numa versão extremamente simplificada, não considerando as variações histérica, fálico-narcisista, compulsiva e passivo-feminino.

6) As estruturas de caráter aparecem conforme problemas no desenvolvimento acontecem, e de acordo com a tabela (mais) abaixo:

 

Fase do desenvolvimento Distúrbio Caráter
Nascimento e primeiros meses de vida Rejeição forte da mãe. Esquizóide
Fase oral da 1ª infância. Até os doze meses. Nutrição inadequada; Falta de contato íntimo com a mãe. Oral
Fase oral/anal. Início da fase genital. Falta de contato íntimo com a mãe. Posterior padrão de sedução e abandono. Psicopata
Fase anal. 2º ano de vida. Mãe invasiva e controladora. Criança não tem direito à expressão de sua independência e integridade. Masoquista
Fase genital. Até a puberdade. Frustração edipiana típica. Criança é rejeitada em suas expressões de afeto corporal Rígido

A seguir, uma breve descrição dos cinco principais tipos de estruturas de caráter.

Estrutura de caráter esquizóide:

1) Tendência à formação do estado esquizofrênico.

  1. Cisão do funcionamento unitário da personalidade. Ex: Pensamento dissociado do sentimento e do comportamento.
  2. Refúgio dentro de si mesmo rompendo ou perdendo contato com a realidade externa.

2) Senso de si mesmo está diminuído; ego é fraco e cujo contato com seu corpo e sentimentos está diminuído em grande parte.

3) Aspectos físicos:

  1. Corpo estreito e contraído. Com elementos paranóides na personalidade, o corpo fica mais cheio e mais atlético.
  2. Principais áreas de tensão: Base do crânio, articulações dos ombros, articulações pélvicas e ao redor do diafragma.
  3. Esta última é severa e tende a cindir o corpo em duas partes.
  4. Ou extrema inflexibilidade ou maleabilidade nas articulações.
  5. Face: Aparência de máscara. Olhos sem vivacidade.
  6. Braços pendem como apêndices.
  7. Pés contraídos e frios. Revirados. Peso do corpo nas bordas externas.
  8. Discrepância entre as duas metades do corpo. Parecem não pertencer à mesma pessoa.
  9. Situações de tensão: Corpo assume posição recurvada.

4) Correlatos psicológicos:

  1. Senso de si mesmo inadequado.
  2. Dissociação; Atitudes antagônicas.
  3. Limite precário do ego. Falta de carga periférica. Resistência reduzida à pressão vinda de fora.
  4. Evita relacionamentos íntimos e afetuosos.
  5. Ações não baseadas em sentimentos: Comportamento “Como se”.

5) Fatores históricos e etiológicos:

  1. Rejeição logo no início da vida, por parte da mãe. Com hostilidade encoberta ou não.
  2. Isto cria o medo no paciente de toda busca, toda tentativa de auto-afirmação, conduza a este aniquilamento.
  3. Falta de um sentimento positivo cheio de segurança e alegria.
  4. Terrores noturnos na infância.
  5. Conduta não emocional, retraimento, crises de raiva, comportamento autista.
  6. Se um dos pais tiver protegido a criança em excesso no período edipico, por motivos sexuais, acrescenta-se um elemento paranóico à personalidade. Isto dá margem a “Acting out” (ato de chamar atenção exageradamente), no final da meninice e fase adulto.
  7. Intensa vida de fantasia a fim de sobreviver (dissociação da realidade e do corpo).
  8. Sentimentos predominantes: Terror e Fúria assassina. Encarcera os sentimentos para fugir de si mesma.

Estrutura de Caráter Oral.

1) Personalidade que contém muitos traços típicos da primeira infância.

2) Fraqueza, dependência dos outros, agressividade precária, sensação de precisar ser carregado, apoiado, cuidado.

3) Falta de satisfação e fixação neste período da infância.

4) Disfarce com atitudes compensatórias. Independência exagerada que não se sustenta em situações de tensão.

5) Carência afetiva.

6) Características físicas.

  1. Corpo estreito e esguio.
  2. Falta de energia e de força na parte inferior do corpo.
  3. Vista fraca. Tendência à miopia. Excitação genital reduzida.
  4. Difere do esquizóide por não estar tão enrijecido.
  5. Musculatura é subdesenvolvida, mas não fibrosa (esquizóide). Braços e pernas compridas e magricelas.
  6. Pés estreitos e pequenos. Pernas parecem não sustentar o corpo.
  7. Joelhos encolhidos.
  8. Tendência a escorregar.
  9. Sinais físicos de imaturidade. Pelve menor que o normal. Pelo do corpo é esparso.
  10. Corpos de criança.
  11. Respiração superficial (baixo nível energético). Impulso de sugar reduzido.

7) Correlatos psicológicos.

  1. Tendência a amparar-se em alguém.
  2. Incapacidade de ficar sozinho. Desejo exagerado de estar em companhia das pessoas para receber seu calor e seu apoio.
  3. Sensação de vazio. Outros preenchem esta lacuna.
  4. Supressão de desejos e sentimentos intensos. Se fossem expressos, resultariam num choro muito profundo e numa respiração mais forte.
  5. Sujeito a alternâncias de humor entre a depressão e a elação (euforia, animação).
  6. Atitude de que as coisas lhe são devidas. O mundo deve sustenta-lo. Deriva das primeiras experiências de privação.

8) Fatores históricos:

  1. Privação inicial: Morte da mãe, doença, ausência para trabalhar, mãe deprimida.
  2. Desenvolvimento precoce: Aprender a falar e a andar mais cedo que o normal.
  3. Amargura na personalidade (Frustração de contato e calor humano).
  4. Depressão no final da infância e início da adolescência.
  5. Não tem comportamento autista do esquizóide. Elementos esquizóides no oral e vice-versa.

Estrutura de caráter psicopata.

1) Negação do sentimento. Atitude psicopática. Diferente do esquizóide que se dissocia do sentimento.

2) O ego/mente volta-se contra o corpo/sentimento, principalmente de natureza sexual.

3) Grande acumulo de energia na própria imagem.

4) Motivação de poder e necessidade de controlar e dominar.

5) Dois modos de ter domínio sobre o outro:

  1. Oprimindo diretamente.
  2. Sedução.

6) Características físicas:

  1. Parte superior do corpo “cheia de ar”.
  2. Parte inferior parece com a da estrutura oral.
  3. Hiperexcitação da capacidade mental.
  4. Olhos atentos e desconfiados. Não abertos para os inter-relacionamentos.
  5. Necessidade de controle contra si mesmo: Cabeça muito erguida (não posso perder a cabeça) mantém o corpo rijo nos limites de seu controle.
  6. O corpo do sedutor é mais regular sem aparência inflada.
  7. Costas hiperflexiveis.
  8. 1º tipo: Pelve tem carga reduzida e é sustentada de maneira rígida.
  9. 2º tipo: Carga excessiva e desconectada.
  10. Ambos apresentam espasticidade acentuada do diafragma.
  11. Tensões no segmento ocular.
  12. Tensões musculares graves na base do crânio.

7) Correlatos psicológicos.

  1. O psicopata “depende” de alguém para controlar. Dose de oralidade.
  2. Medo de ser controlado/usado.
  3. Disputa pelo domínio entre pais e filhos.
  4. Não admite fracasso (necessidade de estar por cima). Coloca-se na posição de vítima.
  5. O prazer na atividade tem menos importância em relação ao desempenho próprio ou à conquista.
  6. Estratégia: Fazer com que os outros precisem dele, para que ele não precise expressar essa necessidade. Deste modo está sempre acima dos demais.

8) Fatores históricos.

  1. Dificuldade em elucidar experiências de vida, pois nega os sentimentos/experiências.
  2. Presença do pai sexualmente sedutor. Encoberta e realizada para satisfazer às necessidades narcisisticas do mesmo.
  3. O pai sedutor é alguém que rejeita a criança, em suas necessidades de apoio e de contato físico. (Traço oral).
  4. Nesta situação, qualquer tentativa de sair em busca de contato coloca a criança em posição de extrema vulnerabilidade. A criança desprezará a necessidade (deslocamento ascendente), passando por cima dela, ou a satisfará através da manipulação dos pais (tipo sedutor).
  5. Traço masoquista: Submissão ao genitor sedutor. Ela não tinha como se revoltar ou sair da situação. Quanto mais abertamente a criança se submete, mais perto do genitor conseguirá ficar. (Mais presente no tipo sedutor).
  6. Depois que tiver funcionado a sedução e estiver firme vinculo com a outra pessoa, o papel se inverte e emerge o sadismo.

Estrutura de caráter masoquista.

1) Aquele que sofre e se lamenta. Que se queixa e permanece submisso.

2) Tendência predominante é a submissão.

3) Internamente, acontece o contrário. Emocionalmente, a pessoa acolhe sentimentos intensos de despeito, negatividade, de hostilidade e superioridade.

4) Estes sentimentos estão fortemente aquém dos ataques de medo, que explodiria num violento comportamento social.

5) O medo de explodir é contraposto a um padrão muscular de contenção. Músculos densos e poderosos restringem qualquer asserção direta de si, permitindo somente as queixas, os lamentos.

6) Características físicas.

  1. Corpo curto, grosso, musculoso.
  2. Pelos no corpo.
  3. Pescoço curto e grosso (atarracamento da cabeça).
  4. Cintura mais curta e mais grossa.
  5. Projeção da pelve à frente. Encurtamento para cima e achatamento das nádegas. Cão com rabo entre as pernas.
  6. Dobra na cintura (resulta das tensões na região).
  7. Mulheres: Rigidez na metade superior e masoquismo na metade inferior (Nádegas e coxas pesadas, tonalidade escura da pele, da estagnação da carga energética).

7) Correlatos psicológicos.

  1. Agressão e auto-afirmação bastante reduzidas, substituídas por queixumes e lamentos.
  2. Conduta provocativa substitui a assertividade. O objetivo é receber uma resposta poderosa para que o masoquista tenha condições de reagir violenta e explosivamente (no sexo).
  3. Sentimento “de estar preso num atoleiro”. Incapaz de movimentar-se livremente.
  4. Submissão e cordialidade.
  5. No consciente, identificação com a tentativa de agradar. No inconsciente, esta atitude é negada por despeito, por negativismo e por hostilidade.
  6. Estes sentimentos reprimidos devem ser liberados antes que possa haver uma resposta descontraída frente à vida.

8) Fatores históricos.

  1. Amor e aceitação ao lado de uma repressão severa.
  2. Mãe é dominadora e se sacrifica. Sufoca a criança, que é levada a se sentir culpada por qualquer tentativa de declarar sua liberdade ou de afirmar sua atitude, quando negativa.
  3. Pai passivo e submisso.
  4. Ênfase exagerada à alimentação e à defecação, fator que se soma à pressão já mencionada.
  5. “Seja um bom menino. Coma toda sua comida. Faça coco direitinho. Deixe a mamãe ver”.
  6. Todas as tentativas de resistência, inclusive os acessos de birra, foram esmagadas.
  7. Sentimento de ter sido ludibriado. Só é possível reagir com despeito, que, por sua vez acaba na autodestruição. Não há possibilidade de saída, do ponto de vista da criança.
  8. O paciente quando criança lutava consigo mesmo, com um profundo sentimento de humilhação, toda vez que se deixava soltar livremente, na forma de vômitos, de desafios, de fazer xixi e coco nas calças.
  9. Tem medo de meter-se em situações delicadas (ficar sobre um pé só) ou de intrometer-se (espichar o pescoço – vale o mesmo para os genitais) por medo de ser rejeitado. A ansiedade de castração é muito acentuada.
  10. Pior medo: Ser afastado dos relacionamentos familiares, provocadores de amor, embora sob certas circunstancias.

Estrutura de caráter rígida.

1) Tendência a se manterem eretas, de orgulho.

2) Cabeça bem erguida, coluna reta.

3) Medo de ceder. Ato de submeter-se é como perder-se completamente.

4) Rigidez: defesa contra uma tendência masoquista subjacente.

5) Está sempre alerta contra situações onde possam aproveitar-se dele, onde possa ser usado ou enganado.

6) Defesa: Contenção de todos os impulsos de sair em busca exterior, de abrir-se.

7) Rigidez é segurar-se nas costas. Capacidade de conter: Forte controle do ego e elevado teor de controle comportamental.

8) Posição genital forte. Bom contato com a realidade, que é empregado como meio de defesa contra os impulsos que buscam o prazer/ceder. Este é o conflito básico de sua personalidade.

9) Características físicas.

  1. Proporcional. Harmonia entre as partes.
  2. Pessoa se sente integrada e conectada.
  3. Vivacidade do corpo. Olhos brilhantes, boa cor da pele, leveza de gestos e movimentos.
  4. Se a rigidez for grave: Diminuição das características descritas. Menos graça e leveza.

10)Correlatos psicológicos.

  1. Mundanos, ambiciosos, competitivos, agressivos. A passividade é experimentada como vulnerabilidade.
  2. Orgulho/teimosia, mas não despeitada.
  3. Ceder é parecer imbecil. Então se contém. Acha que a submissão acarretará na perda de sua liberdade.
  4. Caráter rígido descreve vários tipos de personalidade.
  5. Tipos fálicos, narcisistas (masculinos), cujo elemento central é a potencia eretiva.
  6. Tipo vitoriano da mulher histérica (Reich). Usa o sexo como defesa contra a sexualidade.
  7. Caráter compulsivo também faz parte.

11)Fatores históricos.

  1. Sem situações severamente traumáticas com posições defensivas mais complexas.
  2. Experiência de frustração na busca da gratificação erótica, no nível genital.
  3. Proibição da masturbação infantil e em relação ao pai do sexo oposto.
  4. Rejeição das buscas de prazer erótico é considerada pela criança como uma traição de sua ânsia de amar (sexualidade é amor, nessa fase).
  5. O rígido não abandona sua consciência. Ela age com o coração, com restrições e sob o controle do ego.
  6. Estado desejável: Render o controle.
  7. Move-se de modo indireto e dentro dos limites de sua guarda no sexo. Não é manipulativo como o psicopata. As manobras buscam a proximidade.
  8. A rejeição de seu amor sexual é um ataque ao seu orgulho, insulta seu orgulho.

Hierarquia dos tipos de caráter e uma declaração de direitos.

1) Hierarquia. Do esquizóide à saúde emocional.

2) Critério: O grau de intimidade que se permitem ter.

3) O esquizóide evita a proximidade íntima.

4) Oral entra em intimidade com base em sua necessidade de ter calor humano e apoio, em bases infantis.

5) Psicopata só consegue se relacionar com os que precisam dele. Enquanto for necessário, permite um grau limitado de intimidade.

6) Masoquista é capaz de estabelecer um relacionamento intimo, com base em sua atitude submissa. É superficial, mas é mais intima do que todas as três anteriores.

7) O rígido estabelece relacionamentos relativamente íntimos, pois mantem-se alerta, apesar da aparente aproximação e compromisso com as outras pessoas.

8) A estrutura de caráter é o melhor arranjo que a pessoa conseguiu propor-se.

9) Conflitos inerentes às estruturas de caráter:

  1. Esquizóide: Se eu expressar minha necessidade de estar próximo de alguém, minha existência entra em perigo. Sóposso existir se não tiver necessidade de intimidade. Portanto, ela tenta permanecer em isolamento.
  2. Oral: Se eu sou independente, devo desistir de toda necessidade de apoio e calor humano. Posso exprimir minhas necessidades na medida em que não sou independente. Se esta pessoa abandonar sua necessidade de aproximação e amor, cairá na esquizofrenia.
  3. Psicopata: Posso aproximar-me se eu deixar você me controlar ou usar-me. A criança é forçada a inverter os papéis nos relacionamentos posteriores e torna-se a parte controladora e sedutora (principalmente com orais). Mantendo então o controle sobre o outro, pode permitir-se certa intimidade. “Você pode ficar ao meu lado enquanto me olhar de baixo para cima”, em vez de “Eu preciso estar perto de você”.
  4. Masoquista: “Se eu for livre, você não me amará”. “Serei seu menininho bem comportado e então você me amará”.
  5. Rígido: Posso ser livre se não perder minha cabeça e se não entregar-me totalmente ao amor.

10)Dualidades:

  1. Esquizóide: existência x necessidades.
  2. Oral: Necessidades x independência.
  3. Psicopatico: Independência x intimidade.
  4. Masoquista: Intimidade/proximidade x liberdade.
  5. Rígido: Liberdade x Ceder ao amor.

11)A cura está em fazer desaparecer o antagonismo aparente das proposições. Você pode ter as duas coisas.

12)Declaração de direitos:

  1. Direito de existir.
  2. Direito de ter segurança nas próprias necessidades.
  3. Direito de ser autônomo e independente.
  4. Direito a auto-afirmação.
  5. Direito de ter desejos e de fazer esforços no sentido de satisfazê-los direta e abertamente.
Fontes bibliográficas:
Lowen, Alexander. O corpo em terapia.
Lowen, Alexander. Bioenergética.
Reich, Wilhelm. Análise do caráter.
Mahler, Margareth. O nascimento psicológico da criança.
Thesenga, Susan. O eu sem defesas.
por Andre Barreto 

 

A BUSCA DA ESSÊNCIA: PENSAMENTOS E REFLEXÕES

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“Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar.”
Aristóteles

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Essa frase tem me inspirado e ajudado nas reflexões sobre a vida nos últimos 15 anos.

Eu acredito que  a  única  forma  de  vivermos  a  plenitude  do  SER  seja  nos  conhecendo profundamente, observando e aprendendo sobre a complexidade e a simplicidade do mundo,nos tornando assim conscientes sobre a nossa evolução e contribuindo para o planeta.

Agir fazendo a nossa existência ter sentido, para que deixemos o nosso legado para a humanidade.

Os  reais  talentos  possibilitam que  nos  expressemos de forma potente,  colocando a  nossa essência no universo.

Com isso, transformamos quem somos em verdadeiras obras, que fazem diferença para pessoas, organizações e sociedades.

Quais são os seus talentos?

O que você faz realmente bem?

As verdadeiras paixões expandem o nosso significado sobre o mundo: como interpretamos e internalizamos o mundo, o que ressoa com força dentro de nós e dá sentido a vida.

Nossas paixões são como chamas que mantem o fogo da nossa existência.

Sem paixões a vida não tem brilho, não tem essência.

Quais são as suas paixões?

O que você gosta profundamente de fazer?

Quando  conseguimos  conectar  nossos  talentos  com  nossas  paixões,  a  mágica  começa  a acontecer.

O nosso poder pessoal é experimentado com toda a sua força, atraímos as pessoas para perto e estamos conectados com o nosso propósito.

Temos a sensação de sermos únicos,de que toda a nossa existência vale a pena, brilhamos intensamente e expressamos a nossa luz no mundo.

Nesse momento, temos a chance de fazer com que nossos talentos e paixões se conectem com as necessidades do planeta e com isso possamos cooperar para a sua evolução.

Vivemos  em  tempos  desafiadores  para  a  evolução  da  humanidade.

Tempos  em  que  o individual e o coletivo estão em conflito tentando encontrar o seu ponto de convergência e assim, elevar a nossa condição humana para adquirirmos novas capacidades. Muitas vezes esse conflito  é  completamente  desarmônico  e  pende  para  o  lado do individualismo.

Egoísmo,incapacidade de respeitar o outro, solidão, ganância, medo, falta de convivência em grupos,violência e guerra são algumas das características e consequências que podemos observar no mundo atual e no comportamento das pessoas.

São duas forças antagônicas e harmônicas ao mesmo tempo fazendo o que parece ser um cabo de guerra ou a construção de uma leminiscata com infinitas possibilidades.

A questão que se apresenta é a seguinte: “Vamos deixar a corda arrebentar e nos dividirmos em dois ou mais mundos  e  sentirmos  as consequências  negativas  disso?”,  ou  “Vamos  encontrar novas possibilidades, onde a tensão da corda possa inspirar, transformar e experimentar caminhos que nunca foram desbravados? Onde a harmonia entre o individual e o coletivo exista? Onde possamos nos elevar a uma oitava acima experimentando novos tempos e inclusive vivendo novos desafios?”

Recentemente estive em Manaus/AM onde existe  o  encontro das  águas dos Rios  Negro e Solimões que, juntos, formam o Rio Amazonas, simplesmente o rio mais caudaloso do mundo.

O Rio Negro, como o próprio nome diz, tem a cor bem escura, quase preta, enquanto o Rio Solimões tem a cor marrom, bem barrenta.

No encontro das águas, a impressão que se tem é que elas não se misturam, pois é notável  a divisão. É perceptível,  inclusive,  a diferença de temperatura e  densidade  das  águas.

Imagine  também,  a  diversidade  da  vida  fluvial  que podemos encontrar  nos  dois  rios.

O que acontece é  um fenômeno muito  bonito.

Durante alguns  quilômetros,  os  dois  rios  vão  convivendo  um  com  outro  até  que  as características aparentes do Rio Solimões sobrepõe as do Rio Negro e assim seguem juntos se transformando no Rio Amazonas.

O incrível é perceber que – apesar do aspecto parecido com o Solimões – é um  novo  rio  que  se forma,  pois  imagino,  por  não  ser  especialista,  que  criam-se  novas características; porém ao mesmo tempo, podemos encontrar as características específicas dos dois rios que o geraram.

Será que isso nos serve de inspiração para a construção de um mundo melhor, mais harmônico,onde a diversidade seja uma qualidade e não um problema?

Onde a riqueza e valorização das pessoas  esteja  mais  em  quem  elas  são  do  que  no  que  elas possuem,  onde possamos desenvolver valores e características como respeito a vida, gentileza, humildade, felicidade, espiritualidade, integridade e amor?

Nos tempos atuais, muitas pessoas tem buscado entender e vivenciar o real propósito de suas vidas, o  significado  e  sentido  das  suas  atividades  laborais  e  o  estilo  de  viver  que  traga harmonia, equilíbrio,  paz e felicidade.

A cada dia,  mais pessoas tem vivido seus talentos e paixões de forma intensa, muitas vezes transformando-os em trabalho, equilibrando o SER e o Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.

O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho.

De como encontrar o propósito no que se faz.

As empresas têm tido grandes desafio sem atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.

Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto.

Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude: TER.

As pessoas estão buscando tomar as rédeas das suas vidas.

Tem buscado ter mais controle sobre seus destinos ou, como se diz, tomar o destino em suas próprias mãos.

Parece haver uma  busca  por  aprender  a  ser  individual  e  ao  mesmo  tempo  coletivo,  ser  um indivíduo integrado ao todo.

Integrado no sentido de,  além de atingir  a  plenitude do ser, contribuir positivamente para a sociedade seja pelos “Comos” ou “O Ques” da vida.

O que antes era privilégio de poucos, agora tem sido a busca de muitos.

A questão é: “Isso é possível para todos?”

Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.

O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz.

As empresas têm tido grandes desafios em atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.

Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto.

Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude:

1. Desenvolva a sua espiritualidade;

2. Não tenha medo de intuir, mas se torne consciente desse processo e capacidade;

3. Crie e proponha novas possibilidades e cenários, mostre caminhos diferentes, desafie e questione o status quo;

4. Compartilhe experiências e vivências;

5. Seja  artista,  viva  a  arte  em  todas  as  suas  formas  e  possibilidades,  amplie  seus horizontes internos e externos;

6. Busque autoconhecimento e autodesenvolvimento e entenda o seu papel no mundo;

7. Aprenda a aprender com o mundo e com as pessoas;

8. Seja pró-ativo, faça as coisas acontecerem, tome o seu destino nas suas mãos, seja líder da sua própria vida;

9. Explore o mundo e as possibilidades da vida, busque novas paixões;

10. Desenvolva seus talentos naturais, cerque-se de pessoas que possam complementa-lo se adquira novos em sintonia com as suas paixões;

11. Faça tudo com excelência e humildade;

12. Use os recursos financeiros como meios e não como a finalidade única de sua vida.

Permita-se,  entregue-se e integre-se. Temos que deixar que nossos potenciais explodam na nossa cara e na cara do mundo. Temos que desafiar o nosso SER.

Não tenhamos medo de saber quem realmente somos. “Se joga!” – Raphael Rodrigues

Essência

Uma entrevista rara de Freud

O valor da vida

Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista.

Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926.

Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976.

Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957.

Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.

Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma.

O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.

Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca.

Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte.

Intensificaram a sua palidez de sábio.

Sua face estava tensa, como se sentisse dor.

Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.

Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado.

Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.

S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.

Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos.

Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.

Sigmund FreudFreud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.– Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos.

Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol.

Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?

George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.

S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.

George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?

S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna. Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa.

Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.

S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.

George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?

S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?

S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?

George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?

S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro. Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição. Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.

No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.

Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.

S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.

Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.

Estava ficando frio no jardim.Prosseguimos a conversa no gabinete.Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.

George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?

S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.

George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?

S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?

S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente. Minha filha também é psicanalista, como você vê…

Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônicas.

George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?

S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.

George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.

Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.

Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.

Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com frequência são também a fonte de nossa força.

Tradução de Paulo Cesar Souza – Via Freudiana 

A dimensão do profundo: o espírito e a espiritualidade

O ser humano não possui apenas exterioridade que é sua expressão corporal.

Nem só interioriadade que é seu universo psíquico interior.

Ele vem dotado também de profundidade que é sua dimensão espiritual.

O espírito não é uma parte do ser humano ao lado de outras. É  o ser humano inteiro que por sua consciência se percebe pertencendo ao Todo e como porção integrante dele. Pelo espírito temos a capacidade de ir além das meras aparências, do que vemos, escutamos, pensamos e amamos.  Podemos apreender o outro lado das coisas, o seu profundo.  As coisas não são apenas ‘coisas’. O espírito capta nelas símbolos e metáforas de uma outra realidade, presente nelas mas que não está circunscrita a elas, pois as desbordar por todos os lados. Elas recordam, apontam e remetem à outra dimensão a que  chamamos de profundidade.

Assim, uma montanha não é apenas uma montanha.  Pelo fato de ser montanha, transmite o sentido da majestade.  O mar evoca a grandiosidade, o céu estrelado, a imensidão, os vincos profundos do rosto de um ancião, à dura luta  da vida e os olhos brilhantes de uma criança, o mistério da vida.

É próprio do ser humano, portador de espírito, perceber valores e significados e não apenas elencar fatos e ações.  Com efeito, o que realmente conta para as pessoas, não são tanto as coisas que lhes acontecem mas o que elas significam para suas vidas e que tipo de experiências marcantes lhes proporcionaram.

Tudo que acontece carrega, existencialmente, um caráter simbólico, ou podemos dizer até sacramental. Já observava finamente Goethe:”tudo o que é passageiro não é senão  um sinal”(Alles Vergängliche ist nur ein Zeichen”). É da natureza do sinal-sacramento tornar presente um sentido maior, transcendente, realizá-lo na pessoa e faze-lo objeto de experiência. Neste sentido, todo evento nos relembra aquilo que vivenciamos e nutre nossa profundidade, vale dizer, nossa espiritualidade.

É por isso que enchemos nossos lares com fotos e objetos amados de nossos pais, avós, familiares e amigos; de todos aqueles que entram em nossas vidas e que tem significado para nós.  Pode ser a última camisa usada pelo pai que morreu de um enfarte fulminante com apenas 54 anos, o pente de madeira da avó querida que faleceu já há anos ou a folha seca dentro de um livro, enviada pelo namorado cheio de saudades. Estas coisas não são apenas objetos;  são sacramentos que nos falam para o nosso profundo, nos lembram pessoas amadas ou acontecimentos significativos para nossas vidas

O espírito nos permite fazer uma experiência de não-dualidade, tão bem descrita pelo zenbudismo. “Você é o mundo, é o todo” dizem os Upanishads  da Índia enquanto o guru aponta para o universo.  Ou “Você é tudo” como muitos yogis dizem.  O Reino de Deus (Malkuta d’Alaha ou ‘os Princípios Guias do Todo) estão dentro de vós” proclamou Jesus.  Estas afirmações nos remetem a uma experiência viva ao invés de uma simples doutrina.

A experiência de base é que estamos ligados e religados (a raiz da palavra ‘religião’) uns aos outros e todos com a Fonte Originária.  Um fio de energia, de vida e de sentido passa por todos os seres tornando-os um cosmos ao invés de caos, uma sinfonia ao invés de cacofonia. Blaise Pascal que além de genial matemático era também místico, disse incisivamente; “é o coração que sente Deus, não a razão” (Pensées, frag. 277).  Este tipo de experiência transfigura tudo.  Tudo se torna permeado de veneração e unção.

As religiões vivem desta experiência espiritual. Elas são posteriores a ela. Articulam-na em doutrinas, ritos, celebrações e caminhos éticos e espirituais.  Sua função primordial é criar e oferecer as condições necessárias para permitir a todas as pessoas e comunidades de mergulharem na realidade divina e atingir uma experiência pessoal do Espírito Criador. Infelizmente muitas delas se tornaram doentes de fundamentalismo e de doutrinalismo que dificultam a experiência espiritual.

Esta experiência, precisamente por ser experiência e não doutrina, irradia serenidade e profunda paz, acompanhada pela ausência do medo.  Sentimo-nos amados, abraçados e acolhidos pelo Seio Divino.  O que nos  acontece, acontece no seu amor.  Mesmo a morte não nos mete medo; é assumida como parte da vida, como o grande momento alquímico da transformação que nos permite estar verdadeiramente no Todo, no coração de Deus. Precisamos passar pela morte para viver mais e melhor

Leonardo Boff é autor de Espiritualidade: caminho de realização. Vozes 2003.

Queimar as máscaras.

Para os cristãos, quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma: um período de quarenta dias que começa logo após o carnaval – “a festa da carne”, termina na quinta-feira santa, seguido pelo “culto a morte de Jesus: o Cristo”.

O sábado de Aleluia  marca o fim de um período considerado “sombrio”, culminando na comemoração da Ressurreição do Cristo, na páscoa.

A Quaresma é um período cheio de simbolismos!

O que é a Quaresma? 

Para a Igreja Católica, a Quaresma se relaciona com os quarenta dias que Jesus jejuou e meditou no deserto.

Nas tradições antigas, as fantasias de carnaval eram queimadas na quarta-feira de cinzas – o motivo das cinzas; os devotos eram estimulados a jejuarem e a confessarem seus “pecados”, mostrando arrependimento pelos atos cometidos durante o carnaval.

A Quaresma era celebrada por exatamente quarenta dias antes da celebração à deusa Ishtar ou a Páscoa pagã, com o simbolismo da “fertilidade” na primavera – os ovos, o coelho, etc, etc..

E aí que entra o Carnaval ( provavelmente do latim carnelevarium – eliminação da carne ) cuja origem remonta o antigo Egito em celebrações no recuo das águas do Rio Nilo ), de modo que, nesse

Carnaval que já discutimos em outros tópicos, as pessoas expurgarvam suas taras, etc… e depois se redimiam por 40 dias de purificação até a dita primavera ou renascimento.

Quaresma sob novas perspectivas
Seguindo os passos de Jesus e indo além dos dogmas religiosos e cristãos, a Quaresma nos traz a ideia de um período de recolhimento e de purificação, muito necessários para o renascimento.
Como a Fênix que queima seu próprio corpo para em seguida renascer e ressurgir das suas próprias cinzas, a Quaresma simboliza um período iniciático, repleto de transformações internas e de aspectos que se mostram e vêm à tona para serem transmutados, eliminados e dissolvidos.
quaresma-mascaras-animaReflexão : “Queimar as fantasias” seria  “queimar ilusões” do ego e assim Ressuscitar/Transmutar?
Quaresma: tempo de transmutação?
Como toda iniciação requer certa dose de transmutação interna, podemos concluir que a Quaresma representa o recolhimento necessário para identificar, dentro de si, os aspectos que necessitam de cura e de transmutação.
A Quaresma, compreendida como um período iniciático, nos mostra que é o momento de olhar para dentro, de ultrapassar o mundo material, a fim de que se possa acessar a essência.
Quaresma e o enfrentamento dos demônios
Conta-se que durante os quarenta dias no deserto, Jesus foi “tentado por demônios”.
E por quarenta dias, Jesus esteve no deserto (recolhido), jejuando (purificando-se) e enfrentando “tentações de demônios”: uma história que mostra-nos Jesus preparando-se para mais uma iniciação, a mais importante da sua existência: sua Ascensão – ou Ressurreição.
Jesus “queimou suas ilusões” em quarenta dias!E esse não é um processo simples, exige persistência, acreditar em um bem maior, fé em si.Ao olhar para dentro, identificamos os nossos próprios “demônios” internos, que precisam ser vencidos, a fim de que nos conheçamos de uma forma plena.
Durante a Quaresma, os cristãos cultuam e sustentam a imagem de Jesus na cruz: a forma-pensamento da dor e sofrimento, que está no inconsciente coletivo da Humanidade.Isto costuma gerar angústias inconscientes de todo tipo, especialmente naqueles que aceitam os dogmas religiosos da Quaresma. Por Tania Resende
Lembrete: formas-pensamentos só exercem poder sobre você, quando a sua mente as aceita como verdadeiras, no Aqui e no Agora!

Uma das ferramentas disponíveis para nos auxiliar na transmutação deste padrão da dor e sofrimento, de “queimar as máscaras” é a Análise Bioenergética, por meio de sessões  de terapia Bioenergética é possível nos conhecermos e identificarmos as máscaras que usamos para sobreviver até este momento.

As sessões permitem que imagens, crenças, medos, padrões sejam identificados, desconstruídos, responsabilidades sejam assumidas, permitindo uma forma mais presente de estar na vida.

Parem um pouco durante esses dias, faça uma viagem interna e procure se olhar, se ouvir , organize e recolha o que vivenciou e se puder faça uma Análise Bionergética, será um grande passo para a mudança necessária.

Faminta

Se a questão de comer ou não comer chega a surgir na cabeça da pessoa, trata-se de um sinal seguro de que o desejo de comer provém de um sentimento de desesperação.

 Para responder esta questão a pessoa pode buscar diferentes justificativas para encontrar sua resposta, pode jogar a culpa do hábito ao tédio, o que so reflete um problema maior do que a pessoa está disposta a reconhecer.

Para muitos a comida funciona como sedativo, temporariamente traz sossego para a inquietação, e alivia a ansiedade. E isso as vezes acontece desde cedo, muitos pais oferecem alimentos aos seus filhos com este propósito. É comum ver uma criança com birra, ou exigente, receber algo para comer de modo a apaziguar sua irritabilidade.

A comida pode, portanto, estar carregada de significados outros que não a satisfação da fome. Frases e pensamentos associados ao ato de comer: comer é a afirmação das funções básicas da vida, exceto comer, comer é meu único prazer, tenho medo de sentir fome, comer é minha resposta ao sentimento de perda, comer é uma negação da minha sexualidade, etc.

A comida é sempre um símbolo da mãe, uma vez que a mãe é a primeira fornecedora. As mães aceitam essa relação simbólica quando tomam a recusa da criança em comer como uma rejeição de caráter pessoal. Da mesma maneira, algumas mães obtém uma satisfação pessoal, quando a criança come, como se o fato desta comer fosse uma expressão de amor e respeito pela mãe.

Muito cedo na vida da maioria das crianças, a comida passa a ser identificada com amor.

Comer tornar-se uma expressão de amor, não comer, uma manifestação de rebeldia. Com muita frequência a criança percebe que não comer é uma forma de revide a uma mãe obsessiva.  Muitas pessoas passam por muitas experiências nas quais seus gostos e desgostos pessoais com respeito a comida são completamente ignorados ou tratados  como reações negativas. e para sobreviver estas pessoas dominam a rebeldia, se submetem para sobreviver. Em suas mentes,  a comida ainda retem a identificação original com o amor e com a mãe. Rejeitar a comida é o mesmo que negar a necessidade que tem da mãe e, portanto, sustentar-se sobre seus próprios pés como pessoa.

E muitas destas pessoas têm dificuldade de assumir um compromisso com a maturidade e a vida adulta, se tornam incapazes de criar raízes e ficam aterrorizadas com a possibilidade de serem eliminadas e expressam tudo isto no ato de comer. Ao expressarem estas idéias a respeito do significado da comida evidenciam as distorções dos seus verdadeiros sentimentos. O hábito de comer compulsivo é um ato de auto-destruição e, não um gesto de “cuidar” de si mesmas. E muitas vezes ao comerem mais do que devem ou podem sentem-se culpadas e desesperadas. O que fica claro que não há prazer real neste ato.  Comer só faz sentido para estas pessoas quando aplacava a tensão. Muitas destas pessoas não sentem fome, fome de comida. Em um sentido mais profundo elas estão famintas: famintas de amor, de prazer, de vida. Com certeza se estas pessoas acreditassem serem capazes de satisfazer essas vontades, diminuiriam a compulsão pela comida.

Para entender esse círculo que se forma e rompê-lo se faz necessário algumas ferramentas, alguns métodos, sessões de Análises Bioenergéticas são libertadoras e curativas.

Entenda mais: : http://wp.me/P5jf7A-l

ESTÔMAGO: VEJA O SIGNIFICADO PSICOLÓGICO PELA METAFÍSICA DA SAÚDE/LINGUAGEM DO CORPO

e como se curar de males nesta área: simboliza a forma como assimilamos a vida e como digerimos as idéias.

Ngastrite-materiaa Bíblia está escrito:

”Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai dela”. As pessoas que reclamam da vida, resmungam o tempo todo, demonstram pessimismo, sempre dão seu ”contra” antes de aceitar uma ideia, reclamam dos vizinhos, dos filhos, do marido, da esposa, acreditam no pior, etc., são as que provocam fortes dores no estômago, como projeção de uma ”indigestão” mental.

Se você tiver dúvidas quanto ao seu comportamento, pergunte aos amigos, ou às pessoas da família, como você é.

Eles podem ajudá-lo a ver e a perceber esses seus hábitos. No começo você teimará por dizer que é mentira ou exagero das pessoas, mas depois perceberá que aquilo que está ouvindo reflete exatamente a imagem que os outros têm de você.

O medo de encarar o presente e sem poder desabafar, devido ao seu orgulho, a hipersensibilidade que lhe provoca mágoas, pensamentos destrutivos que nunca são eliminados da sua mente, tudo isso junto faz você achar que o mundo é perverso e sem descanso.

Veja como você se destaca dos demais pelo seu ceticismo e teimosia. Todos estão sempre lhe dizendo: ”Descanse um pouco”. ”Não passe nervoso”. ”Você precisa se distrair um pouco”. E tantos outros conselhos que lhe massageiam o ego. Saiba que, se você não quer abrir mão de alguns maus hábitos, mesmo que lhe causem problemas sérios, é porque você necessita da atenção de certas pessoas. Pois agindo como vítima, sua ”muleta” será garantida por alguém que você chantageia constantemente.

Isso mostra o quanto você deve crescer e buscar o autoconhecimento, para admitir essa verdade e policiar-se. Pare de agir como criança e sinta que para ser feliz é preciso ser alegre e otimista nas opiniões, nas atitudes, na fisionomia e em todos os setores de sua vida.

Quando você conquistar ou resgatar a coragem, a força de vontade, o amor-próprio, a independência emocional e financeira e compreender que, por trás de suas lamentações, se esconde o desejo de ”pedir” algo a alguém, então você mudará completamente sua postura e assumirá seus problemas com sabedoria e em silêncio.

Se você está em conflito com alguém próximo e isso lhe causa profunda mágoa ou raiva, ou se está sempre tentando provar o contrário do que os seus adversários afirmam, saiba que você está nadando contra a correnteza e com certeza perdendo seu precioso tempo.

Deixe as coisas fluírem naturalmente. Lógico que você deve lutar pelo seu ideal, mas ouça suas intuições e sinta o momento de parar com a teimosia e talvez mudar a estratégia.

Pare e analise seu comportamento. Deixe de lado o seu costume de analisar o comportamento das outras pessoas. Seja sincero consigo mesmo e reconheça que sua teimosia é do tamanho das suas dores de estômago.

Exatamente por você ser uma pessoa extremamente responsável, criativa, eficiente, cautelosa, perfeccionista e sensível, é que acaba entrando em atrito, às vezes secretamente, com pessoas que não pensam como você.
Aprenda a ser mais tolerante e compreensivo, pois nem sempre a sua verdade é a verdade dos outros.

O que você acha que é certo, pode não ser certo para outras pessoas, e o que lhe causa tristeza pode ser considerado por outras pessoas apenas exagero de sua parte.

Saiba compreender o mundo alheio e tente, pelo menos, respeitar as opiniões e desejos que são diferentes dos seus. Existem várias portas onde estão as respostas que desejamos mas, enquanto estivermos apegados às velhas idéias, não enxergaremos a saída por nenhuma delas.

Procure ignorar os detalhes de uma questão complicada, porque você vai acabar se perdendo no meio deles e passar muito nervosismo tentando entender cada um. Os detalhes representam muito pouco na solução de determinadas questões e o que realmente importa no processo de solucionar algo é um comportamento reto, decidido e determinado. Muitos detalhes levam à neurose, se você não souber lidar com eles. Cuidado!

Seja flexível com você mesmo e com as idéias dos outros. Isso o ajudará a encontrar o equilíbrio emocional e a velha modéstia, que tanto engrandece os seres humanos. Destrua essa postura de vítima, encare o mundo de frente e com desejos de progredir, sem depender de ninguém para nada. Cristina Cairo Linguagem do Corpo Vol 1

Por meio da Análise Bioenergética é possível identificar os medos, as dores, traumas que causam essas dores físicas.

Entenda mais: http://wp.me/P5jf7A-l

Exercícios de fundamentação- Grounding II

FullSizeRenderEmbora seja verdade que muitos de nós precisamos de ajuda de um terapeuta para trabalhar nossas ansiedades de forma e evitar que as ansiedades se tornem assentadas e sedimentadas em nós, há algumas coisas que podemos fazer por nós mesmos para promover esse processo, praticando algumas posturas bioenergéticas simples e alguns exercícios.

Já passamos uma posição para vivenciar a vitalidade do corpo esta é outra posição que possibilita esta sensação.

Nesta posição os pés são colocados vinte e cinco centímetros de distância entre um e outro e com o dedão virado ligeiramente para dentro.

Com os joelhos flexionados, abaixe-se até que as pontas dos dedos das mãos toquem no chão, deixe a cabeça cair solta.

Depois, mantendo a ponta dos dedos no chão estique os joelhos gradualmente até que alguma vibração se desenvolva nas pernas.

Se o tendão da curva da perna estiver muito contraído, esta postura pode produzir alguma dor. Não tente estender completamente os joelhos e enrijecer as pernas, pois isso destruirá o vlor do exercício.

Novamente neste exercício como no primeiro, a boca deve estar aberta e a respiração deve desenvolver fácil e completamente.

Todo o peso do corpo deve estar nos pés, as pontas dos dedos das mãos servem penas como pontos de contato.

O corpo deve estar equilibrado entre os tornozelos e as pontas dos pés.

Esta postura, ainda mais que a primeira, tende a produzir algumas vibrações nas pernas.

Contudo, elas não acontecem a todos na primeira tentativa e em pessoas que inconscientemente se mantém sob rígido controle, podem ser necessárias várias repetições do exercício para que ocorram vibrações.

A natureza desses movimentos vibratórios será explicado com maiores detalhes mais tarde.

Sua ocorrência aumenta a quantidade de sensações nas pernas e nos pés, que é nosso objetivo.

A postura deve ser mantida por um ou dois minutos mas nunca se ela se tornar muito dolorosa ou estafante.

Deve-se também notar que ambos os exercícios aprofundam a respiração e aumentam a circulação nas mãos e nos pés.

Ocasionalmente podem acontecer formigamentos ou parrestesias nas extremidades.

Elas são um sinal de que se está respirando mais profundamente do que habitualmente.

Elas desaparecem quando a respiração volta ao normal.

Se os dois exercícios forem feitos regularmente ajudarão muito a fundamentação da pessoa.

Trecho do livro O Corpo em Depressão – Alexander Lowen

Como devo viver?

10373710_827275364018882_4064897840483638977_nComo devo viver? Pergunta feita por Aristóteles e vários outros filósofos. Este respondeu, “buscando a felicidade”!!

Hoje, muitas pessoas entenderiam a expressão como modo de curtir a si próprias.

Para muitos, felicidade são férias no exterior, festas, desfrutar momentos com os amigos, ler o livro predileto, assistir um filme, etc. Tudo isto são ingredientes de uma vida, saudável, mas Aristóteles não acreditava que a melhor maneira de viver era sair somente em busca destes prazeres.
Para descrever o que pensava usava a palavra “eudaimonia” como algo que vai além das sensações de prazer, um termo difícil de entender pois estamos acostumados a pensar que felicidade diz respeito apenas ao modo como sentimos. A partir da constatação de que nós podemos pensar e raciocinar sobre o que devemos fazer , nosso melhor tipo de vida é aquele que usa os poderes da razão.

E o que podemos fazer para aumentar nossa chance de felicidade? Para ele é desenvolver o tipo certo de caráter. Precisamos apreender a sentirmos os tipos certos de emoções nos momentos certos e assim sermos bem comportados ou será que ele quis dizer mais inteiros?

Para ele o tão desejado estado de eudaimonia só poderia ser alcançado em relação a vida em sociedade. Nós vivemos juntos, e precisamos encontrar nossa felicidade interagindo bem com aqueles que nos cercam.

Pensando em nosso dias,  precisamos de ferramentas para atingirmos este estado desejado, ferramentas que nos ajude a nos olharmos, a identificamos nossa estrutura e desestrutura e colocar no lugar, de forma inteira conseguimos nos relacionar melhor conosco e com o entorno.Respondendo a pergunta, como devemos viver Devemos viver na busca de estarmos no mundo de uma forma mais inteira.